sábado, 11 de outubro de 2008

Wecsley, Fabinho e Vicente? E aí vamos?

O tempo volta, hoje estou com 15 anos e com as pessoas que foram e por terem sido ainda são importantes na minha vida.

Domingo

Alô? E a festa?

“Fiquei com ninguém”

“Foi meu cabelo. Não deu tempo cortar, por isso ninguém me quiz”

“Pega o filme que eu faço a pipoca, o resto fica aí esperando”

“O pneu da bicicleta ta cheio, vamos, o sítio é longe”

“Somos quatro, temos duas bicicletas! Alguém me leva?”

“Não posso com niguém”

Segunda-feira

“Vou comprar meu lanche”

“É Né? Eu vou pegar a merenda mesmo”

“Compra uma pipoca, uma pelota e copo d’gua”

Terça-feira

“Treino de Handbool”

“Eita! vou ficar com ela hoje”

“Pêra, Uva, maça ou salada-mista?”

“Bicho, ficamos”

Quarta-feira

“Vamos à praça à noite?”

“Vamos encontrar as feras?”

“Eu trouxe a Halls, divido”

Quinta-feira

“O jogo é hoje em Sertânia?”

“Tu não fizesse nada, passou o pivô por ti, tás morto é?”

“Vamos beber refrigerantes”

Sexta-feira

“Treino hoje na quadra”

“Vamos nos encontrar que horas na praça?”

“Marcasse com alguém?”

“Vou levar ela em casa, a pé”

“Meu amiiiiiiigo, é longe viu?”

Sábado

“Festa”

“vou comprar uma camisa”

“Vou cortar o cabelo”

“Será que se eu marcar ela vai?”

“Não tenho dinheiro pra pagar o ingresso dela não”

“Tenho que acordar cedo amanhã”

“Xau”

“Valeu”

“Té mais”

“Inté amanhã”

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Trabalho de Jornalísmo Informativo-Opinativo-Interpretativo

As mulheres, mais do que os homens, são as que mais sofrem com a exacerbação feita pela mídia ao corpo, onde padrões de beleza são estilizados e impostos e dessa forma a escravização em busca do belo torna-se muitas vezes um diagnóstico patológico.

De acordo com uma pesquisa realizada em Criciúma pela acadêmica de Publicidade e Propaganda da Unisul- Maria Antônia Barbosa, os conceitos de beleza mudaram com o passar dos anos e essas mudanças trouxeram insatisfações.

As musas gordinhas dos séculos passados não possuem mais o espaço que tinham nas mãos dos grandes pintores, com os padrões de beleza atuais, elas passaram por um processo com o uso de Photoshop, editor de imagens bidimensionais, para esconder as gordurinhas “indesejadas”, ou você acha que essa não seria a realidade? Os diversos comerciais de cervejas, sandálias de borracha e carros, não nos deixa mentir.

A imposição midiática da beleza faz com que nos sintamos culpados e rejeitados quando não fazemos parte do elo beleza e aceitação social. Nosso corpo que até então era divino e respeitado, passa por mutilações que agridem de forma perceptível nossa estrutura e dessa forma tomamos os conceitos de muitos estudiosos que proferem o termo ciborgue ou corpo biocibernético, organismo dotado de partes orgânicas e mecânicas, para definir o papel do corpo hoje na sociedade.

É inevitável que as mudanças no corpo, esta recriação humana de fora para dentro, como o uso de próteses e tantos outros aparatos que se leva ao “belo”, surge uma insatisfação, na qual há muitas vezes uma inversão de valores, onde as mulheres ficam mais preocupadas em parecerem belas e saudáveis, ao invés de realmente estarem belas e saudáveis, chegando a sacrifícios em nome da ditadura da beleza pela fútil vaidade.

Na opinião do mecânico Adenilson de Sousa – “Cada um tem que se cuidar à medida do possível e tentar ser o que der pra ser e não se espelhar em certo tipo de pessoa e isso não se tornar uma obsessão”, disse.

O grande aumento de personalidades que vivem pela estética criou-se personagens que exalam sensualidade á flor da pele e trouxe para o meio midiático uma espécie de objeto de audiência. As chacretes, mulheres tidas como sensuais nos anos 50 aos 80 que dançavam no programa do comunicador de rádio e um dos maiores nomes da televisão no Brasil, Chacrinha, timidamente deram espaços pra nomes que seriam no nosso país representações dos “nossos padrões”, ou melhor, dos padrões estilizados, como Suzana Alves (Tiazinha) ou Joana Prado (Feiticeira), imagens da mulher que foram criadas e vendidas para o exterior.

Estas mulheres comercializam uma imagem que naturalmente qualquer mulher poderia comprar e usufruir, com isso o Brasil é recordista no ramo de cirurgias plásticas. Os dados são da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, e a estatística é de que no ano 2000 aproximadamente 350.000 pessoas tenham se submetido ao bisturi por razões puramente estéticas, passando a frente dos Estados Unidos, tradicionais campeões nesta área.

A Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (International Society of Aesthetic Plastic Surgery ISAPS) fez recentemente a seguinte pergunta aos cirurgiões plásticos: Que influência as pessoas famosas têm sobre as decisões tomadas pelos pacientes?

O questionamento foi enviado a mais de 20 mil cirurgiões plásticos em 84 países. As respostas revelaram as tendências sobre o padrão de beleza atual. Seios e lábios foram as principais categorias das escolhas femininas influenciadas por mulheres famosas, seguidos por nádegas, nariz e abdômen. Entres as celebridades invejadas estavam: Pamela Anderson, Gisele Bündchen, Angelina Jolie (foto), Nicole Kidman, Elizabeth Taylor, entre tantas outras.

“O trabalho do cirurgião é analisar bem o paciente e tentar mostrar que às vezes ele não está precisando daquela incisão, é bom procurar algumas vezes um preparador físico ou se percebemos uma fissura por aquilo que deseja buscar encaminhar o paciente a um psicólogo é a melhor opção – afirmou o médico cirurgião plástico, Dr. Dirceu Melo de Carvalho e ainda complementou: “a busca pelo corpo perfeito, tem uma grande ligação com a mídia, buscamos cada vez mais está parecidos com quem está em evidência na mídia, torna-se uma busca fútil de se esconder em você mesmo com uma máscara” diz.

Mas, e o público? Nós, seres “normais” nesse mundo em que sempre nos achamos excluídos, Como vemos isso?

Em uma entrevista de opinião feita por nossa equipe com profissionais de educação física, médicos cirurgiões e público variado em idade e profissão, é surpreendente a aceitação que a maioria possuem dessa imposição, quando esteticamente visível se encontram nos padrões vendidos pela mídia, diferente da rejeição, muitas vezes pelos cidadãos excluídos desse meio.

Luciana Santos, Auxiliar de Serviços gerais, possui uma posição que segundo sua opinião é a da maioria das mulheres que querem se sentir e bem e desejadas: “Gisele Bündchen é uma modelo linda e se todos seguissem seu padrão ia se legal, sou a favor desses padrões, adoro ver gente bonita e o que me impede de não me cuidar tanto são os fatores financeiros, se eu pudesse comprar um padrão de beleza, compraria o de Ivete Sangalo” – diz Luciana, complementando que “faria tudo pra ter as pernas na cantora baiana”.

Contrariamente à opinião de Luciana, a estudante Larissa Leite diz que não se sente bem com a mídia impondo essa perpetuação ao corpo, pois é perceptível pelas mulheres o quanto elas tem que submeter para se sentirem aceitas, “a caracterização de uma pessoa tida como perfeita e todos tentarem segui-la, faz com que o público aceite isso deve sem se conscientizar e tentar não se submeter a esses estereótipos”.

A busca pelas academias para aqueles que preferem o não uso de métodos artificiais cresce a cada ano, e segundo o preparador físico Marcos Antônio, da Academia Fitness em Campina Grande, esse aumento se tem dado na maioria das vezes não pelo bem-estar do corpo no âmbito da saúde e sim no estético. “Hoje, o número de mulheres que chegam para serem matriculadas no estabelecimento buscam ter uma parte do corpo de quem se está em evidência na TV, o bumbum depois da Mulher Melancia (Andressa Soares), a dançaria do Créu, é um deles – disse Marcos Antônio”. A pesquisa realizada com 96 mulheres, clientes das clínicas de estética ou academias de ginástica, aponta que 64% delas se consideram gordas, 67% não estão satisfeitas com o próprio corpo e 81% tem vontade de fazer uma cirurgia estética. Mostra também que grande parte busca atingir os padrões: 47% vivem de regime e 57% valorizam a estética ditada pela sociedade.

Mas o que ou quem define esses padrões? Para serem tidos como uma marca ou um objetivo a se chegar, onde muitas vezes nem desejamos, mas somos vítimas dessa imposição.

As propagandas fazem parecer possível o sonho de se parecer com uma Top Model, vendendo produtos que as fazem pensar estar mais próximas do sonho de ser desejável. As estratégias de marketing utilizado pelas empresas vendem a sensação e a idéia de se parecer com quem está “utilizando” esse produto, mesmo que seja por curto espaço de tempo. A mídia não tenta ver cada mulher com suas particularidades e sua beleza por essência e isso faz com que cada vez mais até as modelos se tornem insatisfeitas, pois as mudanças desejadas por elas não são moderadas, e isso torna os meios de comunicação, na verdade quem se apropria deles, o grande vilão de toda essa discussão sobre beleza.

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